sexta-feira, 20 de julho de 2012

O ser humano em busca de identidade, Gottfried Brakemeier

O autor relata que a problematização do pecado não é uma casualidade, que acaba designando num simples fracasso social, a derrota na concorrência e na luta pela sobrevivência, podendo ser relacionado também com a falta de fé. Basta negar Deus, para se livrar desse peso?
            Ignorar fenômenos naturais não vai fazê-lo desaparecer, pois o termo pecado se articula na experiência humana, e não em uma invenção religiosa. Pecado implica culpa que necessita de perdão. Resultando em um sentimento pelo qual ninguém quer ser considerado culpado, restando ao homem fugir dessa culpa. O termo pecado tange e sensibiliza profundas dimensões da personalidade humana.
            Pensando pelo lado bíblico podemos dizer que há perdão para nossos pecados, o cristão acredita nisso. Realmente sem perdão o pecado fica meio obscuro de se entender.
            Brakemeier, sita vários fundamentos bíblicos para justificar o que chamamos de pecado, descrito no A.T. como violação do direito divino, comportamento culposo. E, no N.T. mostra um Jesus e sue autores devidamente devedores da teologia do antigo Israel, e da descrição da fonte que emana a desgraça do ser humano.
            Pecado é, antes de mais nada, transgressão do preceito de Deus, mas Adão e Eva no paraíso desrespeitam a vontade de Deus com desobediência, e Jesus Cristo como um segundo Adão em plena obediência.(p.53)
            O autor descreve pecado como uma “gula”, onde serpente estimula o apetite de Adão, da árvore cujos frutos ele não poderia comer. Pecado esse que pode ser manifesto também com idolatria e injustiça de um mundo pagão, podemos ler a história do bezerro de ouro (Ex.32). Pecado tem expressão de vanglória(ICo.4-7).
            Pecado ser expressa em sentimento, palavra e ação, relacionado com ódio, insulto e assassinato. A parábola do Bom Samaritano retrata omissão(Lc.10-25). Pecado é culpa, e causa prejuízos não só na esfera humana, mas na esfera divina, que tem Deus como um Juiz do pecado.
            A origem do pecado e o pecado original pela mitologia antiga atribuem a desgraça aos ciúmes dos deuses, já na tradição judaica cristã há uma rejeição a etiologia dualista de mal. Deus não é responsável pelo pecado, nisto a Bíblia é unânime, muito embora saiba e diga que Deus pode ser o causador de desgraça, como está escrito muito claramente no livro de Jó. Para a Bíblia a origem do pecado está no próprio ser humano, como relata o apostolo Paulo: “Ela está em Adão” (Rm.5-12).
            O autor faz uma análise sobre o mito da queda descrito em Gn3. (p. 58á 60)
            A teologia pegou essa expressão pecado original, que não se trata de uma concepção bíblica e sim de Tertuliano, no século III, desenvolvida e fundada por Agostinho. Descrevendo pecado como hereditário, e não superficial ou acidental, mais afetando a raiz de tudo o que é humano, de profunda corrupção, fugindo do controle humano: o ser humano não só comete pecado, ele é pecador.
            A afirmação do pecado original segura às pessoas na comunhão de gente pecaminosa. Ficando, assim desmascarado a condição de justos e pecadores.
            Ao pecado original corresponde o pecado atual, a réplica do pecado histórico aqui e agora, a cumplicidade com os antepassados, a reprodução da lógica da maldade. O ser humano bom existe de verdade, e ao mesmo tempo pessoas corruptas também podem cometer atos puros de fins humanitários.
            Em conclusão a gravidade do pecado produz uma simbologia como diz o autor, que preferiu não citar palavras como: diabo, demônios, espíritos imundos.
            Para Martin Lutero, teve suas posições definidas no século XVI. Para Lutero todos os pecados são mortais, pois fluem da mesma atitude arrogante do ser humano para com Deus. Definindo o pecado, como um primeiro momento, a negação da fé em Deus, a descrença.
            Paul Tillich, no século XX, atualiza o discurso sobre pecado dizendo que o termo vem da filosofia de G.W.F. Hengel, que recebeu interpretações diversas de seus inspiradores. Tillich, dá uma definição para o termo como uma forma de alienação, que resulta na perda do próprio eu, do mundo e de Deus.
            Elisabeth Moltmann-wendel, juntamente com pensadoras feministas, relata que a pretensão de ser igual a Deus, como soberba, seria um apensamento antes de tudo masculino.
            Enrique Dussel em um contexto latino-americano, diz que a origem do mal ou do pecado está em negar o outro. Em um modo de comportamento estável ou não.
            Realmente é muito difícil definir o enigma do mal, ou pecado, ou o ser humano pecador. A ciência, as experiências humanas, somente nos dá base para definirmos o hoje, o que ocorre diretamente conosco na atualidade, seria mesmo inviável discernir o pecado, pois o mesmo ato praticado, pensado ou falado pode ser considerado pecado pra uns e pra outros não. Pude perceber que as definições vão mudando de acordo com o tempo que o pesquisador vive e suas várias formas de religiões. Uma coisa sei! A Bíblia não muda, e nem mudará sua linguagem de acordo com tempo vivido, nós que buscamos relacionar a Bíblia com as atitudes de hoje, pois vivemos num mundo que se torna cada vez mais banalizado.
Sem. Liana Costa, Sistemática II

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