terça-feira, 10 de julho de 2012

Peter Berger, O Dossel Sagrado

Peter Berger,
O Dossel Sagrado.
Ms. Clemir Fernandes
Peter L. Berger foi professor de Sociologia e de Teologia na Universidade de Boston, onde também foi diretor do Institute on Cultere, um centro de pesquisas destinado ao estudo sistemático dos relacionamentos entre o desenvolvimento econômico e a mudança sociocultural em diversas partes do mundo. Sendo também um autor contemporâneo, com diversos livros sobre a sociologia da religião publicados no Brasil. Nascido em Viena no ano de 1929.
            Em sua obra, O Dossel Sagrado, Berger faz uma análise sobre a Sociologia da Religião baseando-se em três pensamentos de três autores importantes. Berger compartilha com Marx a convicção fundadora de seu pensamento: onde a sociedade é feita por homens que constroem um mundo humano, tal mundo é cultura entendida como totalidade de produtos. Já na semelhança com Durkhein e Weber , Berger quer trazer a religião para o mundo dos homens, como uma forma de realidade para se entenderem e se explicarem a si mesmos no mundo.
            No primeiro capítulo Berger relata muito uma sociedade com fenômenos dialéticos por ser nada mais um produto humano, que, no entanto retroage continuamente sobre o seu produtor. E esse processo dialético constitui em três momentos: exteriorização, objetivação e a interiorização. Sendo a exteriorização contínua efusão do ser humano sobre o mundo. A objetivação é a conquista por parte destes produtos em uma atividade física e mental. E por ultimo a interiorização sendo uma reaproximação de uma realidade por parte dos homens transformando-as de estruturas no mundo objetivo em estruturas da consciência subjetiva. O autor relata também nesse capitulo o mundo em que homem vive, sendo imperfeitamente programado pela sua própria construção, sendo modelado pela própria atividade do homem, caracterizado pro uma instabilidade congênita. É pois, a sociedade um produto do homem.
            Tosa sociedade que continua parada no tempo, tem a dificuldade de passar para as próximas gerações os seus sentidos objetivados. Sendo essa dificuldade atacada por processos pelos quais se ensina uma geração a viver de acordo com os programas institucionais da sociedade. A religião é a ousada tentativa de conceber o universo inteiro como humanamente significativo, diz Berger. (p.41)
            No segundo capítulo Berger relata a religião como uma forma de manutenção do mundo. E fala diretamente sobre o processo de legitimação que vêm a ser as respostas que o homem procura para comprovar a existência de determinadas idéias. A própria religião legitima as instituições. Nas civilizações da Àsia Oriental as legitimações mitológicas se transformam em categorias filosóficas e teológicas de alto nível de abstração. O grau de elaboração teórica das legitimações religiosas variará de acordo com múltiplos fatores históricos, mais ao mesmo tempo induziria e grave equivoco tomar em consideração apenas as legitimações mais sofisticadas. (p. 54)
             A religião serve para manter a realidade daquele mundo socialmente construído nas vidas cotidianas dos homens, mantendo a realidade socialmente definida, legitimando as situações as situações marginais em termos de uma realidade sagrada de âmbito universal, assim o ser humano se identifica com o mundo da sua sociedade.
            Berger relata também que a plausibilidade é um pré-requisito que pertencem a mundos religiosos inteiros como a legitimação destinada a mantê-los, podendo fazer mais uma diferenciação. A situação é agravada quando há uma mudança drástica de sistemas religiosos diferentes, e seus respectivos promotores institucionais entram em competição pluralística uns com os outros.
Para o indivíduo, existir no mundo religioso significa existir no contexto social particular no seio do qual aquele mundo pode manter a sua plausibilidade. (p.63) O poder as religião depende, em ultima instancia da credibilidade das bandeiras que coloca nas mãos dos homens quando estão diante da morte, ou mais exatamente, caminham, inevitavelmente, para ela.
O autor no terceiro capítulo retrata o problema de uma teodicéia, na sagrada ordem do cosmos sendo repetidas vezes, reafirmada através do caos, como uma forma de atitude masoquista. Os ritos de passagens humanas incluem sem duvida experiências felizes e infelizes, e é por isso que há um desenvolvimento de uma teodicéia implícita, partindo de uma teologia implícita de toda ordem social precede, naturalmente, quaisquer legitimações, religiosas ou não, servindo, contudo como indispensável abstrato para o qual mais tarde poderão ser construídos os edifícios de legitimação.
            Antes de tudo a teodicéia não provoca a felicidade e proporciona significado. A teodicéia através da transcendência de si mesmo surge reiteradas vezes no misticismo. Mais adiante o autor relatara os vários tipos de teodicéias em religiões diferentes, milenares ou não e até mesmo teodicéias bíblicas, fazendo um esboço sobre o livro de Jó sendo uma forma pura de masoquismo religioso.
            Os mundos que o homem constrói  estão permanentemente ameaçados pelas forças do caos e, finalmente pela realidade inevitável da morte. A teodicéia é uma tentativa de se fazer um pacto com a morte. (p.92)
            No quarto capítulo o autor escreve sobre religião e alienação, voltando a falar dos três pontos relatados anteriormente que foram: exteriorização, objetivação e interiorização. Partindo de três pontos importantes para a alienação que em primeiro lugar, cumpre acentuar que o mundo alienado, com todos os seus aspectos, é um fenômeno de consciência, mais especifica de falsa consciência. E em segundo como sendo um erro considerar a alienação como um desenvolvimento ulterior da consciência, uma forma de queda da graça. E em terceiro a alienação sendo um fenômeno completamente diferente da anomia, que causa de uma sertã forma uma confusão até hoje sobre esses conceitos por cientistas sociais americanos. Tal alienação pode ser um dos obstáculos mais eficientes contra a anomia.
            Uma vez estabelecida à falsa unidade do eu, e enquanto ela permanecer plausível, é provável que ela seja uma fonte de força interior. A identidade social como um todo pode então ser apreendida pelo indivíduo como algo sagrado, criado ou querido pelos deuses. Os significados projetados da atividade humana cristalizam-se num gigantesco e misterioso “outro mundo”, que paira sobre o mundo dos homens como uma realidade alheia. (p.107) O grande paradoxo da alienação religiosa é que o próprio processo de desumanização do mundo sóciocultural tem suas raízes no desejo fundamental de que a realidade como um todo possa ter um lugar significativo para o homem. E essa alienação tem sido uma preço pago pela consciência religiosa em sua busca de uma universo humanamente significativo.
            No quinto capitulo Berger fala sobre o processo de secularização, como um processo pelo qual setores da sociedade e da cultura são subtraídos à dominação das instituições e símbolos religiosos. Relatando, o autor, sobre a historia ocidental moderna onde a secularização manifesta-se na retirada das Igrejas cristãs de áreas que antes estavam em sue controle ou influencia como: a separação da Igreja e Estado..., já na questão dos símbolos pode-se afirmar que a secularização é mais do que um processo sociocultural, podendo ser vista como um fenômeno global das sociedades modernas, não sendo  sua distribuição uniforme.
            Nesse mesmo capítulo, mais adiante na página 124, o autor começa a relatar a diferença entre o protestantismo e o universo católico comparado a seu adversário. Onde o protestante já não mais vive em um mundo continuamente penetrado por forças sagradas e sim por uma divindade radicalmente transcendente. E essa radical transcendência de Deus defronta-se com um universo fechado para o sagrado.
            As raízes de secularização estão nas mais antigas fontes disponíveis de Israel, sustentando o “desencantamento do mundo”. De uma forma que tudo que ocorre aqui em baixo no plano humano corresponde u lá em cima no plano dos deuses, sendo uma continuidade entre o microcosmo humano e o macrocosmo divino, podendo é claro ser rompida por causa de faltas cometidas pelos homens.
            O A.T. postula um Deus que está fora do cosmos. Esse cosmos foi criado por Deus, e eles se defrontam mais não se permeiam. Esse Deus é radicalmente transcendente e não se identifica com nenhum fenômeno natural ou humano. Não sendo apenas o Criador, mais o Único Deus em existência, de qualquer forma o único que contava par Israel, como por exemplo o livro de Gn 1, a historia da criação que incorpora vários elementos cosmogônicos da mitologia mesopotâmica, cujo capítulo acaba com a criação do homem,  como uma ser distinta em alto grau de todas as outras criaturas. Encontramos um Deus transcendente e o homem com um universo inteiramente “demitologizado” entre eles. Berger fala na pág. 131 sobre os livros do A.T.,suas festa e acontecimentos, girando em torno da história de uma forma que nenhum outro grande livro religioso do mundo faz, inclusive o N.T..
            No capítulo VI, Berger falará sobre a secularização e o problema da plausibilidade, pode ser considerado também uma “crise de credibilidade” sendo uma das formas mais evidentes do efeito da secularização para o homem comum. Sendo uma ótima oportunidade para se mostrar em concreto a relação dialética entre a religião e sua infra-estrutura, que já havia sido desenvolvida teoricamente. O palco original da secularização, indicado anteriormente foi à área econômica, formados por pelos processos capitalistas e industriais. Agora o autor cita que por outro lado a secularização está se formando em áreas como o Estado e a família, nas páginas 142 e 143 Berger dá exemplos disso.
             A religião continuará a ter um potencial de realidade considerável, continuando a ser relevante em termos de motivos e auto-interpretações de pessoas nessa esfera da atividade social cotidiana. Por outro lado essa religiosidade limita-se a domínios específicos da vida social que podem ser efetivamente segregados dos setores secularizados da sociedade moderna, esses valores que dizem respeito à religiosidade privada, que são irrelevantes em contextos institucionais diferentes em esfera privada.
            Durante a maior parte da historia humana, os estabelecimentos religiosos existiram como monopólios na sociedade, monopólios de legitimação última de vida individual e coletiva. Berger cita a grande crise do hinduísmo na Índia, quando conquistada por estrangeiros que não podiam ser tratados da mesma maneira. E ainda assim, sobre o domínio de muçulmanos e cristãos, a sociedade hindu conseguiu, por um longo tempo, continuar a usar os métodos tradicionais e fechar-se sobre si mesma e evitar que a conquista se seguisse a desintegração interior. Somente com a modernização da Índia recentemente é que foi possível observar o surgimento de um genuíno pluralismo, expresso politicamente pela definição da Índia independente do Estado secular. No Ocidente ao contrario do hinduísmo, a cristandade empregou livremente a violência militar contra os infiéis, tanto externos quanto internos.
            Berger nos informa que hoje os grupos religiosos são competitivas agencias de mercado, se organizando de forma a conquistar uma população de consumidores em competição com outros grupos que tem o mesmo propósito, com a pressão de se obter resultados numa situação competitiva acarretando uma racionalização das estruturas sócio-religiosas. A seguir o autor fará um amplo comentário sobre esse mercado religioso e seus fregueses, dizendo que qualquer mudança drástica desse padrão de crescimento religioso levaria inevitavelmente a sérios distúrbios na economia de muitas denominações.
            No sétimo e último capítulo, Berger fala sobre a secularização e o problema da legitimação, e cita a “crise da teologia” na situação religiosa contemporânea baseando-se numa crise de plausibilidade que precede qualquer teoria. A medida que a secularização e o pluralismo são atualmente fenômenos de âmbito mundial, da mesma forma a crise da teologia adquire essa amplitude. Berger faz um comentário sobre a IGM e a IIGM, onde a IGM sendo um choque para o mundo e os horrores da IIGM, onde nas duas Guerras houve uma desintegração do pré-domínio do liberalismo protestante, e suas várias formas de ortodoxia.
            Não basta o que a religião possa ser, além disso, ela é um universo de significado construído pelo homem, e essa construção é feita por meios lingüísticos. Sendo assim a religião implica na busca pelo homem de um mundo que esteja relacionado com ele. A religião é um fator fundamental para compreender a sociologia, Durkheim diz que estudar religião é uma forma de se compreender o mundo. Todas as tradições religiosas têm sua escatologia, de final feliz.
 Marx nos informa que a religião é um fator de libertação, dizendo que: o mundo onde estou não me dá esperança, o que me dá esperança de uma nova vida é a religião. A religião proporciona o prazer, o bem estar. Marx diz que a religião faz critica da sociedade, mais ela estrutura o mundo, e também é resultado desse mundo.
            Berger nesse livro diz que outros grupos que regem a sociedade, é influenciado diretamente á partir de experiências religiosas, como: a família, os costumes, educação, trabalho, lazer, esportes, e o próprio Estado... um mundo estruturado pelo sagrado e profano, com regras em primeiro lugar, e o possível estabelecimento da Paz, da Ordem. Regras essas muitas vezes estabelecidas para os mais fracos. Onde as instituições foram criadas para aliviar o indivíduo de reinventar o mundo a cada dia e ter que se orientar dentro dele as instituições criam programas para a execução da interação social e para a realização de currículos de vida.

Resumo da obra de Peter Berger, O Dossel Sagrado. Prof. Clemir Fernandes. Curso de Bacharel em Teologia FATERJ 2011.1

2 comentários:

  1. Parabéns pela lucidez na compreensão e resumo do texto de Berger.

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  2. Parabéns pela lucidez na compreensão e resumo do texto de Berger.

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